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Fernando Garcia

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Minha vida antes dos 30.

O que eu fiz e deixei de fazer antes de virar gente.
October 19

Casar comigo pode ser fatal.

Um dia desses me mandaram um e-mail e na primeira linha, me escreveram "suuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuua cara!" Fui ver o que era. Abri meu e-mail e estava lá o seguinte textinho que seria uma alusão a minha pessoa:

"Querida,
Está tudo em ordem durante sua ausência.
Estou preparando meu próprio almoço... Está dando tudo certo. Ontem fiz batata frita. Ficou bom. Era preciso descascar a batata?

Fui buscar uns brioches na padaria e quando voltei o esmalte da frigideira tinha
soltado e ela estava toda derretida. Inclusive o cabo. E você que me dizia que
o teflon segurava qualquer coisa...

Quanto tempo precisa pra cozinhar ovos? Já deixei eles fervendo lá duas horas,
mas continuam duros que nem pedra. Bom vou aguardar um pouco mais...

Semana passada tive um contratempo cozinhando as ervilhas. Decidi esquentar a
lata no microondas e ele explodiu. A lata decolou feito um foguete, atravessou
o teto e acertou a filha do seu Freitas, nosso vizinho de cima. Ela foi parar
no pronto-socorro. Ainda bem que eles tinham plano de saúde.

Já aconteceu contigo de a louça suja criar mofo? Como é possível isso acontecer
em tão pouco tempo?
Aliás, atrás da pia tem de tudo que é bicho, daqui a pouco vai dar pra fazer um documentário e vender pro National Geografic...

Durante o último almoço eu emporcalhei o tapete persa com molho de tomate. Você
sempre me dizia que mancha de molho de tomate não sai. Bobinha! Com um pouco de
querosene não tive problema algum. Saiu tudinho, inclusive a cor do tapete.

A geladeira estava criando muito gelo, então tive que fazer um defrost nela. O
gelo sai fácil se você raspa ele com uma espátula de pedreiro! Ficou ótimo, foi
fácil e rápido, agora a geladeira não sei porque está aquecendo. De toda forma,
a carne ficou bem passada.

No mais, na última quinta-feira quando sai para o trabalho esqueci de trancar a
porta.   Alguém deve ter invadido nosso apartamento porque estão faltando alguns objetos 
de valor, inclusive aquele colar de marfim que seu bisavô trouxe da África. 
Mas como você sempre diz, o dinheiro não traz felicidade, e tudo que é material é efêmero. 
O seu guarda-roupa também está vazio, mas acho que não devem ter levado muita coisa, 
afinal você sempre diz que nunca tem nada pra vestir.
 
Beijos mil, com muito carinho, do seu querido marido.

PS: Sua mãe deu uma passada aqui pra ver como estavam as coisas.  Sofreu um infarto. O 
velório foi ontem à tarde, mas preferi não te contar pra não te aborrecer à toa.
 
Volte logo, estou com saudades...

Não sei viver sem você!”

 

Devido ao conteúdo humorístico do texto, encaminhei (sem a parte que dizia que era "a minha cara”). Menos de 10 minutos depois, metade veio me dizer de novo que era a minha cara. Como o título do e-mail era “marido atencioso”, falei que esta era a parte que me cabia. Novamente, recebi vários ”uhummmmmmmmmmm…” e “ahammmmmmmmmmmmmmm". Não to valendo UM REAL, não é possível!!!

 

Tudo bem… convenhamos que quando eu faço arroz eu preciso fingir que gosto dele bem, mas bemmmm douradinho pra não ter que explicar o porquê de ter grudado tudo embaixo. Tento deixar a batata fria meio branquinha e ela sai meio crua… mas isso é… natureba!!!

Teve uma vez também que deixei o óleo esquentando pra fritar coxinha, já que achei que coxinha era “homem-ruim-de-cozinha proof” (à prova de homem ruim de cozinha). Liguei o fogão automático, pá, deixei lá e voltei pro MSN pra conversar enquanto esperava. Papo vai, papo vem, começo a sentir um cheiro de queimado. Na hora pensei “nossa, essa vizinha queimando folha seca na calçada de novo”. Depois lembrei que tinha o óleo no fogo. Fui até a cozinha uma labareda acontecia em cima da panela. O fogo chegava no teto!!!  Tirei calmamente a panela do fogão e joguei no quintal até o fogo cessar. Afinal, nem sonharia em jogar água no óleo quente, ainda dou valor à minha vida. O melhor foi a diarista ir no dia seguinte, limpar a parede preta inteeeeira e a minha mãe demití-la logo após isso… “obrigada!! Mas não precisaremos mais do seu trabalho aqui…” (ela já ia fazer isso antes da arte. E eu não era pequeno na época…)

 

Enfim, minha vida de casado será mais ou menos a do texto lá em cima, mas pelo menos serei o tal “marido atencioso”. Eu cuidarei de tudo menos da cozinha e da organização da casa (não me perguntem o que sobre depois disso). Afinal, quem liga para o tapete persa? O importante é que meu PlayStation fique intacto, o restante é substituível!

 

 

Para saber quando um novo texto foi publicado, siga-me! =D  http://www.twitter.com/jekyl_hyde


September 25

Andar de metrô é fogo!

Um dia de manhã, quando eu ia para a faculdade com a velocidade de uma tartaruga já que a aula era meramente ilustrativa, reclamei em pensamentos que quando tenho uma aula importante eu sempre saio cedo, vou correndo e chego em cima da hora ou um pouco atrasado, enquanto em dia de aulas mega úteis eu vou devagar e chego cedo. Maldito o momento que eu reclamei disso, nesta quarta-feira, dia 23 de setembro de 2009, paguei por isso e por todos os meus pecados das últimas cinco vidas. Acompanhem...

Acordei em cima da hora bem despreocupado, tomei café (Toddy), me arrumei, brinquei com o gato e sai. Subi despretensiosamente as duas quadras até o metrô, entrei na estação da linha verde e saltei no Paraíso para fazer a baldeação, que foi onde a caca começou. Assim que subi a escada rolante para pegar o trem da linha azul, vi que o Paraíso já não era o mesmo. Gente pra tudo quanto é lado, filas, trem parado só com metade dentro do túnel. Após uns 5 minutos, chegou outro trem e entrei. Vem o maquinista anunciar: “devido ao incêndio ocorrido na estação Sé, os trens estão circulando com velocidade reduzida e com maior tempo de parada”.

Não sei se tentaram fazer uma propaganda do Hot Pocket e enveloparam um vagão de metrô parecendo a embalagem do produto, tipo comum de propaganda atualmente, acabaram colocando o povo todo no microondas e queimaram feito pipoca, só sei que a Sé pegou fogo (definido como “início de incêndio” pelos jornais). Sendo direto, paguei a língua/pensamento. Se eu tivesse entrado mais cedo, tipo antes das 6:30, talvez eu conseguisse chegar no Paraíso antes da maldita Eva ter oferecido a porcaria de maçã pro Adão, agora vem a praga e bota fogo na estação Sé. Resultado? Cheguei na estação Paraíso às 7:10. 8:30 eu estava na Vergueiro (próxima estação). Enquanto isso, eu estava do lado da barra, segurando lá todo comportadinho, e vem aquele povo encoxando, espremendo, passando mão aqui e ali só pra poder segurar na barra também, como se o trem estivesse em movimento. Porque não descansam o braço enquanto me deixam em paz? O jeito foi cobrir todas as partes que consegui com a mochila.

Também havia uma senhora, nos seus sei lá... 40 e muitos anos e 90 e muitos quilos, que estava ficando com calor, calor, calor e ia tirando roupas, casaco, blusa, moletom... E ao lado um menino de uns 15 anos magrinho confortavelmente sentadinho. Eu tentei de todas as maneiras do mundo fazer aquele inútil entender que ele tinha que dar o lugar pra senhora antes que ela fizesse um strip tease ali e traumatizasse alguém, mas ele fingia não ver e olhava pros lados. Sinalizei, acenei, olhei feio, quase xinguei. Nada. Só não desci uma guardachuvada no traste porque se eu levantasse a mão eu não conseguiria mais baixá-la.

Uns 20 minutos depois, chegamos na estação São Joaquim (a próxima depois da Vergueiro), isso porque eles disseram “velocidade reduzida e tempo maio de parada”. A velocidade não era reduzida, era estática, porque o trem literalmente não se mexia, e o tempo de parada não era maior, era eterno. As pessoas começaram a bater os pés impacientes pra fazer barulho, como se isso fosse avisar alguém de alguma coisa, e alguns começaram meio que se jogar um pouco pra frente como se estivessem empurrando o metrô pelo lado de dentro. Será que eles realmente achavam que isso ia fazer o trem de seis vagões começar a andar aos poucos? Comecei a ficar nervoso. Tava quase descendo do vagão e indo a pé pelos trilhos. Se me parassem pra reclamar que só trem passa por ali, eu chamaria mais um bando, colocaríamos mãozinhas na cintura um dos outros e faríamos trenzinho cantando “tam tam tam tam tam! Hey! Tam tam tam tam tam! Hey!” até a Sé.

Emputeci e saltei na São Joaquim mesmo. Saí da estação e fui para o ponto de ônibus em frente. Havia somente uma moça solitária no ponto, loira (diga-se de passagem), então cheguei educadamente, segurando guardachuva com os bracinhos cruzados, um verdadeiro gentleman, e perguntei: “Senhora, qual ônibus pego para ir para a região do metrô Brás ou Bresser (onde fica minha faculdade).” Ela responde “hum... ônibus? Aqui eu não sei, hein... Mas você pode pegar o metrô” e fez aquela carinha de “ =) “. Olhei fixamente para ela por uns 15 segundos, fiz cara de “ ¬_¬”  sem piscar, sem respirar, sem mover um músculo que não fossem os que não precisam do meu estímulo consciente para isso. A resposta que eu queria dar era “tenho cara de bombeiro? Você está sugerindo que eu vá até a Sé apagar o incêndio antes de ir pra aula, é isso?” mas só falei “moça... o metrô pegou fogo” (foi o que saiu na hora). Ela disse que tinha visto isso no noticiário e que da casa dela deu até para ouvir o barulho do helicóptero indo apagar o fogo e tal (e ainda assim me perguntou “por que eu não vou de metrô”). Nisso, ela me diz que o ideal seria eu voltar até a Brigadeiro Luis Antônio, rua do lado da que peguei o primeiro metrô lá do começo do texto, e pegar um ônibus até a Sé e de lá, outro para o Brás. E lá fui eu peregrinar tudo de novo.

Voltei até lá enquanto recebia as lamentações de outros do grupo da faculdade quanto à situação. Uma integrante que geralmente vai de carro, por exemplo, achou uma odisséia entrar numa estação de metrô lotada, que fica junto com um ponto de ônibus, mas segundo ela também estava tudo lotado, ainda foi pisoteada, daí desistiu e voltou pra casa. E eu tenho que ler isso enquanto me ralo pra voltar tudo e pegar um bendito ônibus para conseguir chegar até a faculdade, já na segunda aula, porque a primeira já era. Cheguei na avenida e parei o primeiro ônibus que vi para perguntar como chegar até a região da estação de metrô Bresser. Adivinha o que eu ouvi? “Por que você não vai de metrô? =D “. Parecia que eu estava com uma camiseta com um luminoso escrito “me pergunte do metrô!” Novamente falei do grande incêndio e ele me instruiu como chegar lá, pegando uma condução, descendo na Praça João Mendes e pegando outra.

Quando eu subi no bus, falei com a cobradora para me avisar quando chegasse na tal praça. Fato: ou o cobrador é simpático ou é desinformado. Essa era super simpática e fofinha, justamente por isso, ela nem sabia onde era a tal praça (que ela passava todo dia durante o trabalho). Perguntou para o motorista e iriam me informar quando chegar. Cheguei, desci (não me avisaram quando chegou, mas todos desciam lá, portanto subentendi que era lá) e ao descer, nem perguntei nada pra ninguém e uma moça veio me perguntar se eu queria saber onde ficava o metrô Sé. Se eu não estivesse usando o guardachuva naquele momento chuvoso, eu juro que descia ele nela. Só agradeci a informação e continuei andando. Neste momento, uma integrante do meu grupo me ligou dizendo que eu podia ir pra casa porque já sabiam do incidente na faculdade e os professores perdoariam as faltas. Possesso, falei que eu ia de qualquer jeito e que chegaria na segunda aula já que tudo estava pronto comigo pra mostrar para o professor da segunda aula. Ela me instruiu certinho qual condução pegar pra chegar lá na faculdade. Desci na praça e dos dez ônibus que ela me disse, ninguém sabia de nenhum, mas me indicaram outro que também chegaria por ali. Subi.

Assim que entrei, o cara parou o ônibus e desceu. Conversou com uma moça. Se abraçaram, conversaram, e eu lá sentadinho. Depois ele voltou e pedi para que me dissesse quando chegássemos perto do metrô Bresser (já pronto pra descer a gaurdachuvada se ele perguntasse do metrô!) e ele confirmou, daí começou a cruzar todas as faixas no viaduto, buzinando e xingando meio mundo. E eu desesperado, já dizendo “pode ser na estação anterior mesmo! Ou aqui mesmo! Me deixa em qualquer lugar!”. Ele perguntou onde eu iria e eu falei da faculdade, então ele me deixou em um ponto onde eu só atravessei um viaduto e cheguei lá as 9:15.

A aula durou menos de 10 minutos, apresentando o que eu trouxe. Tudo aprovado, fui embora, e de metrô. É fogo mesmo.

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August 13

O número 3 em minha vida.

Eu nunca fui muito bom com números. Sempre gostei do número 2 porque conta com este número é sempre fácil. 2x15 é 30, 2x 456 é 912. Mega prático. Também gosto do número 5 porque na escola era uma tabuada fácil de fazer. Vai subindo de 5 em 5, tipo 5, 10, 15, 20, 25, 30... Mas ultimamente minha vida tem me mostrado que a minha sina é o número 3 ou um múltiplo.

Vou explicar como cheguei a esta conclusão.  Nasci no dia 9, múltiplo de 3, o meu mês de nascimento é no 3º quarter do ano (ou no 3º bimestre escolar), somos em 3 filhos e eu morava em Ourinhos (sílabas: ou - ri - nhos. 3!!!) Meu nome tem 3 sílabas também. Minha mãe é a terceira filha dos meus avós e só ela tem 3 filhos. Acha pouco? O governo de São Paulo colocou vários novos trens na linha verde do metrô. Desde o primeiro, eu fico tentando pegar o trem novo porque é mais divertido, o único, ÚNICO que nunca está indo na direção e que não consegui pegar até hoje foi o 3º novo trem. O último número do meu prédio é 3 e a soma dos números do meu apartamento é múltiplo de 3. E não para por ai...

Sempre que eu encontro alguém que eu gosto, esse alguém já tem alguém (ou seja, pessoa + pessoa + eu = 3), ou pior, esse alguém ENCONTRA ALGUÉM e vem me contar com toda a felicidade do mundo, sem dizer que vira e mexe me convidam pra jantares ou saídas a 3 pra eu conhecer o partidão que tomou o meu lugar, porque eu virei um grande AMIGO (sílabas: A - MI - GO = 3) e que eu teeeeeenho que conhecer o futuro marido alheio. Não contente, já me fizeram propostas absurdas, do tipo "se meu namorado não souber, sem rolo!" com aquele sorriso amarelo na cara. O dia que eu tiver que me esconder atrás do armário ou fingir que sou "amiguinho" da pessoa que eu gosto, eu mudo meu nome pra Mário, aquele do "atrás do armário" (AR – MÁ – RIO = 3), sabe? Em todos esses casos, minha reposta tem 3 letras: N Ã O.

Na faculdade, por exemplo, meu projeto do segundo ano só deu certo quando meu grupo foi reduzido para 3 pessoas e agora, no último semestre, o projeto começou com 7 e não tava rolando. Claro, eu precisava de 3 ou um múltiplo de 3 pra dar certo. Cortei um bagaço do grupo e tudo começou a fluir. O nosso cliente tem 3 palavras no nome e vamos fazer o planejamento daki a 2 anos, ou seja, quando ele tiver 12 anos (óóóóó o múltiplo!!!)

Nunca estudei numerologia, mas no ano de 2009 (termina com 9!!! Óóóóóóó o múltiplo de 3!!) e com 24 anos (óóóóó o múltiplo de 3!!) percebi que devo apostar mas neste número ou fugir dele de vez. Vou estudar essa teoria pelos próximos três meses. E se você for comentar este post, faça 3 comentários ou deixe comentários o suficiente para o total ser múltiplo de 3, por favor. Obrigado!
July 28

Vida de gato de estimação.

Cresci numa cidade de interior rodeado de gatos. Desde os primeiros gatos com nomes mega criativos, como "Cat", até os nomes que causam divergências familiares, como o caso da gatinha preta que eu achei a oeste do protão de casa e chamei-a de "Nishi", Oeste em japonês, enquanto minha mãe queria chamá-la de "Angélica Depois do Incêndio" e no final, o nome da coitada acabou virando "Fumaça". Eu ainda chamo ela de Nishi até hoje, nos seus plenos 13 anos de vidinha (gata preta com fiozinhos brancos, tadinha!), e ela reconhece e vem toda feliz pro meu colo.

Enfim, desde que comecei a vida paulistana própria sempre quis retomar essa ligação com a infância e ter um gatinho em casa de novo (não que eu tenha deixado de ser criança, mas o tempo passa para todos...) Enquanto isso, eu ficava comentando nos sites de redes sociais em todas as fotos dos gatos dos meus amigos, falando "ownnn, que lindo!! quero um desses!!", até que um dia um amigo vira e fala "Você ainda vai querer o gatinho? Tô doando..." Após uns 15 segundos de aperto no coração e dor na consciência de ter desejado o bichinho de estimação alheio, fui buscar o gato! =D

Desde então, Joaquim, meu gato siamês, habita meu apartamento. No começo ele era todo timidozinho, ficava no cantinho, não era muito acostumado com colo. Esta fase não durou um mês... O sofá foi a primeira vítima. Como ele é uma peça única, ou seja, não desmonta nem separa almofadas nem nada, atrás ele tem uma parte fechada com velcro que se abre para poder pegar algum objeto que eventualmente caiu alí dentro. O espertinho aprendeu a fincar a unhazinha nesse pedaço de tecido, ABRIR O VELCRO e entrar. Toda vez que tenho que tirar ele de lá parece que o sofá está parindo, preciso puxar o bicho pelas patinhas e ele vem esticando o tecido em volta. Só faltava eu segurar pelos pezinhos e bater na bundinha pra chorar.

 

A segunda coisa que aprendi é a ter cuidado com as roupas. Fato: gatos ADORAM correr atrás de uma cordinha. E onde é que as roupas masculinas tem cordinhas? ALÍ MESMO, BEM NA FRENTE, NA CINTURA!! UM RISCO À NOSSA VIDA!!! Percebi isso enquanto fugia do gato pela casa inteira, no telefone com a minha amiga, e ele cismava que aquela cordinha era a cordinha que se ele não pegasse ele morreria ali mesmo. TENSO. Agora aprendi a dar até lacinho nos cordões das bermudas e pijamas. Quase tão bem feito quanto aqueles que ficam atrás de kimono.

 

Outra coisa que mudou em minha vida é  fato de aprender a fechar muito bem os sacos e latas de lixo. Se eu não fizer isso, o Joaquim abre e gentilmente traz para a minha cama algum presentinho que ele achou lá. Não contente, ele faz isso as 3 da manhã e ele sabe abrir as portas, portanto não adianta fechar, muito menos me arrisco a trancar porque dai eu ouço um CRASHHHH, fico preocupado e tenho que ir lá ver o que foi, então acho melhor deixar aberto mesmo…

 

Mas nem tudo é facilidade na vida deste gato. Como bom educador que sou, tudo o que pego ele fazendo errado, desço a mão ma cinta (na verdade, moleton) e saio batendo do lado dele, não nele, pra assustar. Pra ser ainda mais malvado, já fechei o buraquinho do sofá com uma blusa por cima, pendurada no sofá, e ele deitou no chão e olhou pra mim com aquela carinha de “não me mate!!! Tenha piedade!!!”, o resultado foram 2 semanas inteiras sem encostar na lata do lixo. O coitado sofre de vez em quando também. O meu amigo, que divide apartamento comigo, uma vez entrou no banheiro e não viu o gato entrando junto. Estava ele mijando feliz e contente, quando o Joaquim cismou em olhar o que era aquilo que caia no vaso, se apoiou e subiu no vaso para ver. O resultado foi um jato urinário na cabeça do bixano, que ficou assustadíssimo e meu amigo acabou tendo que dar um pequeno banho com xampuzinho na cabeça do mini cidadão. O gato já está ficando tão educadinho com as broncas que dou nele que da última vez que vi, ele até fechou a porta do banheirinho onde fica a caixinha de areia dele!!!

 

Enfim, ter um gato é divertido. Ver ele querendo entrar no guarda roupa, mexer no que não deve, entrar no seu quarto e deitar bem no meio da sua cama na hora de dormir como se ele tivesse direito total de fazer isso é muito engraçado. Mas pensem muito, mas MUITO mesmo antes de ter um, porque gato dura e você acaba virando um pai. Vocês não tem noção de como penso dez vezes antes de deixar uma janela escancarada em casa. Um belo dia, Joaquim brincava pela cozinha, onde há uma big janela atrás da pia. Ele estava tentando escalar e acabou abrindo as gavetas. Acabou entrando em uma sem querer e ela se fechou sozinha (aquelas com rodinhas laterais para deslizar melhor) e o bonit ficou preso lá. Resultado, meu amigo volta pra cozinha e quase tem um filho, tamanho o susto do rapaz, que JURAVA que o gato havia cometido suicídio, querendo se livrar da sua pobre vida de cão… (péssimo trocadilho…) Portanto pensem muio bem antes de assumir esta responsabilidade. Ah, e também NUNCA troquem de ração. Comprem uma que na embalagem está escrito, LITERALMENTE, “para gatos castrados que vivem em ambientes fechados”, já que em outra parte diz também que ela ameniza o odor da urina. Eu fiz a besteira de comprar uma só porque o sabor era de carne e estava escrito “para gatos ativos”. Preciso dizer que o gato agora está uma pilha? E depois também percebi que a anterior realmente diminuia muito o odor da urina. Vivendo e aprendendo… Ainda assim, adoro meu gato! =)

May 25

O superaquecimento global na minha vida.

Atualmente, o assunto do superaquecimento global é a pegada. Se você está em alguma festa ou encontro de profissionais e quer falar sobre assuntos inteligentes ou que gerem polêmica (ou seja, não importa a opinião, ninguém está 100% certo ou errado), é só falar sobre o superaquecimento. É divertido porque se você não está naqueles dias nos quais acordamos dizendo “P#RRA, CARAL#%, QUE DIA MARAVILHOSO PRA IR NUMA REUNIÃO DE NEGÓCIOS CONVERSAR HORRORES COM TODOS OS BUSINESS MEN E FAZER AQUEEELE MONTE DE AMIZADES NOVAS!!!”, você joga o verde e o pessoal continua.

Apesar de se algo comentado como problema quando acontece um tsunami ou quando se mostra o video de uma geleria quebrando, percebi que o esquema do superaquecimento e mudanças drásticas de temperatura são coisas muito mais comuns em minha vida do que apenas conversa para fazer business man dormir. Não andei com um termômetro na mão para dizer “olha, pico de temperatura!!” ou “mayday! mayday!” (aquilo que eles falam quando o avião está caindo velozmente), mas parei para ver os altos e baixos onde eu passei momentos frios e calorosos no mesmo dia. Vamos à alguns exemplos:

 

1) Condições geográficas: Essas são as mais perceptíveis. Desde os altos sete andares do meu prédio, que quando saio daqui está aquele frio do cão, até o subsolo do metrô, onde está um forno, a temperatura tem picos e quedas absurdas. Fora que na Avenida Paulista, a temperatura em geral deve ser uns 6 ou 7º a menos que no local onde estudo na zona leste. Se não fosse a minha preguiça de tirar e colocar o moleton durante as variações, eu já estaria musculoso.

 

2) Condições temporais: As segundas mais perceptíveis. As 7 da manhã, quando saio de casa, tudo na rua parece o set de gravação de “A Era do Gelo 3” (se fosse realmente filmado), ou Silent Hill, pela névoa. 7:30, na faculdade, o filme “Fogo de Dante” poderia ser gravado na minha faculdade, porque só falta a água da fontezinha evaporar (e tem dias que ela está vazia. Será que já evaporou?).

 

3) Condições de paciência: Essas são as mais irritantes, pois você não consegue controlar. Por exemplo, quando você entra numa sala antes de falar com alguém importante sobre um assunto importante, que você fica na salinha de espera e aquele ar condicionado parece que diminuiu de 25ºC para -802ºC, é simplesmente impossível fazer o joelhinho parar de tremer, você começa a batucar com as mãozinhas e finge que batica super rápido pra não mostrar que não é batuque, é tremedeira de frio. Quanto mais tempo demora, mais frio fica. Já quando você marca de sair com alguém e faz a burrada de marcar na frente da balada, por exemplo, o efeito é o contrário.As pessoas passam, olham pra você alí parado, isso quando não pergunta se você faz programa, passam, olham de novo, dão risadinha, e cadê o inferno da pessoa que era para estar alí há algumas horas atras?? Ela só chega depois que você desistiu de ter auto estima, depois que você já está sentindo uns 200ºC de tanto nervoso e raiva, pensando se valia a pena esperar ou se seria melhor ter vazado.

 

4) Condições de falta de QI alheio: Essas são as condições que mais tentamos disfarçar, mas é difícil. Essa é quando você está à temperatura ambiente. Daí alguém chega e pergunta alguma coisa boba. Você, na maior das boas vontades, explica, e a pessoa erra de novo. Não contente, você volta a explicar querendo que aquela pessoa não faça mais a mesma caca, já que errar é humano, mas repetir o erro é burrice. Ainda assim, o indivíduo vai lá e faz a “Caca Reloaded”. A cada cacada do cara, você aquece uns 20º, ou seja, quando chega a 100º, você está em ebulição e fala um monte, e não tem jeito.

 

Olhar para os exemplos nos leva a pensar coisas do tipo “será que se as pessoas chegassem no horário que marcamos na balada, ou se fosse menos burras, o mundo estaria mais friozinho? Teríamos mais geleiras?” ou se todas as gelerias se forem, moraremos em palafitas? Muitas questões. O negócio é que o discutir o aumento ainda é um assunto interessante e ainda não temos respostas definitivas. Ou será que já?

January 22

Carinho, carência e sofás.

Uma bela noite fresca, eu e uma amiga estávamos no salão(zinho) de festas do prédio dela, porque seu apartamento estava uma verdadeira zona de tanta coisa jogada e ela não queria que eu visse seu quarto bagunçado, já que minha vida se dividiria em “AQ” e “DQ”: “Antes do Quarto” e “Depois do Quarto”, segundo ela. Lá começamos a falar de várias coisas, daí entramos nos assuntos pessoais e nas dificuldades de achar a pessoa certa (ou quase certa).

 

Comparamos a pessoa certa com um “sofá ideal”, ou seja, aquele com material e conforto que você quer. Algumas pessoas precisam sentar e experimentar vários sofás antes de decidir qual é o ideal para levar pra casa. Outras, assim que se sentam, já sabem que é aquele. Há ainda outros que sentam em um sofá, gostam, mas não querem sair da loja antes de experimentar TODOS os sofás do local, e o que geralmente acontece é que quando voltam ao modelo que agradou, este, já paradinho ali por algum tempo, acabou sendo vendido e não adianta chorar pelo leite derramado. Também existem alguns doidos que sentam em um sofá, JURAM que aquele sofá foi feito especialmente pra eles e nada no planeta Terra mudará esta opinião, e na maioria dos casos, nem os próprios sofás agüentam o peso do bundão. É sempre assim, um paradoxo de opiniões.

 

Bom, eu e a amiga, no caso, parecemos (ou acreditamos) ser mais normais que esses casos. Nem acomodados para não sentar em nenhum sofá, nem hiperativos pra querer experimentar todos, ou seja, somos “moderados”. O problema é que depois que você entra na loja de móveis (quando você começa a namorar e tal) você não sai mais até encontrar o sofá ideal. Quando você é criança, você só é criança, depois tudo se divide em “estou solteiro” e “estou compromissado”. Uma meleca, mas é assim que acontece e não adianta negar.

 

O negócio que pega é aquele esquema de “quem eu quero não me quer”. Talvez o problema maior nem seja o “não me quer”, mas sim o “me quer, mas não agora”, porque isso deixa aquele gancho que você não sai, mas também não engrena de vez. E isso é irritante, deixa a gente louco e a gente xinga, bloqueia, volta, fala, chama pra sair, dá bolo ou leva bolo, e por aí vai. Momentos chatos, porém que fazem o sangue correr mais nas veias, deixa o rosto corado, machuca os dedos do pé e quebra alguns objetos (durante as crises de revolta) e depois que passa até dá saudade, mas o “durante” acaba com a nossa vida. O esquema desse “eu te quero, mas depois” enlouquece porque a pessoa marca você, mas marca de marcar mesmo, tipo aqueles espetinhos com inicias na ponta que esquentam na brasa e usam pra marcar os bois: nos aquece, nos machuca e nos marca.

 

A marcação pode ainda render algumas situações, como momentos melosos, momentos de raiva, ligações que depois de colocar o telefone no gancho nos perguntamos “o que eu tinha na cabeça pra falar isso??!!” Minha amiga, por exemplo, chegou ao ponto de pegar o telefone, ligar para o sofá amado (que hipoteticamente seria o sofá ideal ou ela achou que ia ser) e pedi-lo em casamento. Imaginem a cena, você chega em casa e seu celular toca, toca, toca... Você atende e a primeira coisa que você ouve é “chamada a cobrar. Para aceitá-la continue na linha após a identificação” (brincadeira, gente!! Começa agora nessa segunda parte) “você é o homem da minha vida! Casa comigo? Eu to apaixonadaaaa!! Por favorrr!!!”. Conhecendo minha amiga como eu conheço (sem modéstia ou puxação de saco, linda, charmosa, inteligente, “pra casar”), seria a coisa mais meiga do planeta, mas a ação corajosa não rendeu frutos. Claro, seria meigo depois de você desligar e pensar algumas vezes para tentar entender se aquilo foi verdade ou trote. Mas ela acabou pensando mais um pouco e achou que preferia um sofá de uma coleção mais nova, já que esse do caso era um tanto “vintage”, e acabou mudando de idéia. O problema, tanto dela como de qualquer outro, é que o mercado de sofás anda tão instável e os consumidores andam tão exigentes que é difícil achar um sofá pra você em meio a tantos, daí acabamos escolhendo um que é por encomenda e estes demoram muito mais para chegar no conforto da nossa casa.

 

Começamos a comparar essas pessoas marcantes de “sofás”, porque é isso que elas deveriam ser, por vários motivos:

 

1)      Deveriam estar a venda. A gente entra, escolhe, paga e ele vem! Nada de pensar, refletir ou reclamar.

2)      Deveriam ficar onde quiséssemos, paradinhos ali na sala pra você sentar do lado a hora que quer.

3)      Deveriam se adaptar a nós e não causar problema, igual o sofá se molda conforme a bunda sentante.

4)      Deveriam ser fixos.

5)      Deveriam permitir que os mandássemos pro conserto e recebermos de volta uma semana depois, novinho.

6)      Deviam poder ser arrastados pra onde quiséssemos.

7)      Deveriam ser NOSSOS.

 

Mas não é bem assim que acontece. Na hora de marcar esses sofás xaropes de volta, eles ainda querem fazer bumbum doce e fingem não deixar, numa pseudo-liberdade criada por eles. Quando estamos enganchados eles também estão, embora façam toda essa carinha de “não temos nada”. Em suma, você está marcado como um boi, daí você pega o seu espetinho e vai lá queimar o seu sofá especial e ele toma o espetinho da sua mão e diz “nemmm ferrando!! Você não vai me marcar!” viram o espetinho pra dentro, se queimam eles mesmos e devolvem, ainda fazendo aquela carinha de “humpf! Viu? Eu que mando!” Independentemente da ordem, o resultado é o mesmo.

 

É estranho pensar que essas pessoas vão tirar noites de sono mais cedo e estarão do lado fazendo a gente dormir mais tarde. Isso se ainda não for o nosso sofá ideal, onde toda a briga virará história de filme, um DVD com as cenas do casamento e uma vivência junta até os últimos momentos. Pensar nisso as vezes dá até um aperto.

 

Enfim, esse é um assunto que vai longe, mas queria registrar como conseguimos comprar móveis a uma situação tão pessoal, ainda mais discutindo como somos complicados e como complicamos o que nem sempre é tão difícil. Mas um dia eu resolvo isso. Ou eu caso ou eu abro uma movelaria e pronto.

January 11

Dez coisas para não se fazer quando se está conhecendo alguém.

A internet chegou e dominou os lares de todos. Junto com a liberdade do tráfego de informações também veio a liberdade de expressão. Ou seja, se você tinha alguma coisa entalada na garganta e precisava falar isso pra alguém, a internet é o lugar! Se você tinha vergonha de ver o que vendem na sex shop, agora você pode fazer isso sem sair de casa! E se você não tinha coragem de sair paquerando pessoas por aí, agora você pode também, através de bate papo virtual onde você não precisa ficar com vergonha!

Sem tempo e sem ânimo de sair por ai pra conhecer pretendentes e realizar dinâmicas e entrevistas, igual se faz pra conseguir uma vaga de trabalho, resolvi tentar conhecer pessoas virtualmente. A minha lista de pretendentes virtuais não chega aos pés da lista de gafes, anotadas após cada conversa individual. Veja alguns dos itens que mais preocupam, ou queimam mais filme, quando se está conhecendo alguém:

1) Não fique falando do(a) ex! Esse é o primeiro e o pior deles. Não tem coisa pior do que, durante a conversa, a pessoa começar com aquele tal de “ai, estou catando os pedacinhos do meu coração quebrado”, ou então, quando você fala “você curte a banda tal?” e a vítima responde “meu ex adorava...” Dá vontade de dizer “então passa aqui o MSN do teu ex que eu vou conversar com ele, que deve ser mais interessante que conversar com você”. Ex é ex. Se fosse bom, ou se fosse pra dar certo, não seria ex. E encerre o assunto aí.

2) Não seja depressivo. As pessoas se conhecem e querem conhecer outras para uma amizade e um futuro relacionamento, não para acabar tendo vontade de cortar o pulso ou pular de 10º andar. Pessoas normais querem se relacionar para viverem grandes emoções, e não entrar em depressão profunda. Muitas vezes começa com aquele “estou carente” e “terminei faz uma semana”, o incrível é que terminam e já correm atrás de alguém pra substituir... imagine quanto tempo uma pessoa dessa veste preto quando está de luto? 15 minutos? Depois contam toda a história da vida e por incrível que pareça, o mundo conspira contra ela. Se eu quisesse drama eu veria na TV.

3) Não fique usando diminutivos. Não existe coisa mais irritante que isso. Chega uma hora que eles param de ser fofinhos e começam a ficar depreciativos, e isso não demora pra acontecer. Começa com “estou tristinho” ou “tão bonitinho”, e começam pra “dar uma saidinha pra pegar um filminho com uma pipoquinha e dar um beijinho” e por aí vai. Aí você já começa a pensar que a pessoa é bonitinha, legalzinha (o que já não é muito) e você acaba pensando que relacionamento vai ser legalzinho... mas não vai ser aquilo tudo que você espera, já que tudo é “zinho” pra essa pessoa. Todo mundo quer viver uma puta experiência e não qualquer experienciazinha. Então largue a mão da síndrome de inferioridade e use o diminutivo quando ele realmente tiver efeito fofinho.

4) Não assuma uma posição de auto-suficiente demais. Aquelas pessoas que o trabalho não é tão bom quanto elas, que não utiliza 1% de seu enorme potencial, ou que os ex não eram de nada, porque como eles(as) adoram dizer, “eu me valorizo!”, o tesouro é tão, mas tão valorizado que até hoje ta sozinho senão não estaria ali falando com você. Se o cidadão é tão bom assim, ele que saia com ele mesmo, porque só ele vai se ligar no dia seguinte, se mandar flores e continuar repetindo pra si mesmo o quão bom ele, afinal, ele não foge dele mesmo. É o par ideal.

5) Não tenha foto falsa ou extremamente bem tirada. Ter fotos de tudo quanto é tipo é essencial. Algumas pessoas têm aquelas fotos que não se sabe o porquê e nem a ciência sabe explicar, mas que naquele dia, naquela lua cheia, devido ao alinhamento dos planetas e a numerologia obtida somando o número do dia atual com a hora da foto e a quantidade de megapixels da câmera a foto saiu extremamente boa e o cidadão a colocou na internet. O resultado é SEMPRE catastrófico. Enquanto você enxerga um monumento grego, do outro lado da tela está uma criatura de fábula que já voltou a ser abóbora e todo mundo já sabe que pau que nasce torto nunca se endireita. Mostre logo a sua cara como ela é todos os dias e se a pessoa gostar, não tem erro. Se não gostar, paciência. Próximo da fila.

6) Não seja o(a) sofredor (a). Outro assunto que deixa qualquer um puto da vida e dá aquela vontade de excluir e bloquear é conversar com sofredores. Você trabalha, mas o trabalho deles é MAIS DIFÍCIL, você mora com alguém xarope, mas a pessoa com quem eles moram é MAIS XAROPE! Você não se dá bem com familiares porque sua família está passando por uma crise, eles ESTÃO SOFRENDO MAIS E A FAMÍLIA DELES É PIOR! Chega uma hora que cansa, você diz que vai até o forno pegar o bolo que terminou de assar e nunca mais aparece online naquele MSN.

7) Não seja radical demais, principalmente quando for no sentido negativo. Se te perguntarem se você fuma, se você sai, se você curte o filme tal, não venha com “ODEEEEEEEEEIOOOOOOOOOOO!!!”. Não existe coisa mais insuportável que gente que odeia ou ama demais as coisas. Claro, é sempre legal saber de uma ou outra mania ou conhecer algo que você ou ele(a) sejam aficionados, o que não dá são aqueles papos assim:

Entrevistador para a vaga de parceiro amoroso: “você curte balada?”

Candidato à vaga: “ODEIO!”

Entrevistador: “Você foi no show da Madonna?”

Candidato: “Credo! Odeio Madonna!”

Entrevistador: “Você quer sair pra tomar um café?”

Candidato: “ODEIO CAFÉ! DÁ ÚLCERA!”

Entrevistador: “Você quer ir tomar no olho do seu **?”

Ou você achou que a conversa terminaria de outra maneira?

Radicalismos positivos também não ajudam. Amar demais alguma coisa, tipo “ahhhh, eu vou na balada, sou o primeiro a entrar, conheço todo mundo lá dentro, beijo todo mundo e sou o ÚLTIMO a sair!” não soa tão legal quanto parece.

8) Não peça o impossível (ou extremamente difícil). Não exija namoro a distância, não exija memória de elefante para todas as datas e gostos, nem exija que parem de fumar ou que se mudem porque você quer. Existem serem humanos que moram longe que pedem e imploram pra você ir na casa deles AGORA, ou pra sair pra um lugar longe, ou qualquer outra coisa que só se pede para quem você já está namorando faz tempo e olhe lá. Exagere no pedido e o outro já vai pedir a conta pra ir embora.

9) Não seja adiantadinho(a). Não queira casar amanhã ou já namorar sério no segundo dia. Pessoas que comemoram “aniversário” quando o namoro completa uma semana ou um mês têm sérios problemas psicológicos e lingüísticos, porque “aniversário” vem da palavra “ano” e não “mês”. Não se coloca a carroça na frente dos bois. É claro que gente lerda também irrita, tipo dois meses depois você ainda não conseguir marcar algo pra sair é complicado, mas deixe as coisas acontecerem e não cobre nada. Tudo tem hora certa e você precisa aprender a perceber isso.

10) Seja quem você realmente é, mas tenha noção de limite. Dois grandes problemas nesse tópico são pessoas que querem ser algo que elas não são, como dizer que fizeram viagens que não fizeram, que são tão importantes quanto não são, entre outras pérolas. Tem casos em que juram que são tão importantes quanto um membro da Academia Brasileira de Letras e quando você vai ver, ainda está tentando se formar no supletivo há uns quatro anos. Já a questão do limite é que as pessoas adoram dizer o quanto elas já passaram, suas experiências, e que com isso elas aprenderam a ser mais: chatas, intolerantes, egoístas, insensíveis, nada versáteis. Não contentes, elas ainda querem que VOCÊ se adapte a elas e não o contrário, porque elas aprenderam que não devem fazer a vontade dos outros porque eles sempre se dão mal. É, piazinhos, assim a coisa fica complicada.

Relacionamento geralmente deve ser algo em que os dois combinam em alguns aspectos e se diferenciam em outros. Enquanto as pessoas não ficarem mais tolerantes e com mais senso do que falam, a coisa não vai pra frente. Eu realmente espero e rezo para que as pessoas aprendam a utilizar a internet de uma maneira mais construtiva, como ler sobre gramática e escrever menos asneira ou no mínimo acompanhar algum noticiário que não seja fofoca de artista, para que assim eu possa finalizar a minha lista de gafes virtuais e ter uma conversa normal. A net ajuda muita coisa na vida dos usuários, eles só precisam aprender que ela é uma ferramenta e não a base de toda a sua vida. Se for pra ficar com uma pessoa dessas, eu namoro com o meu PC que eu fico na vantagem, pois ele é como eu quero, fica onde eu quero,dorme do meu lado todas as noites e o mais importante, É MEU!

December 29

A novela, a vida alheia e em último caso, a vida própria.

Outro dia eu estava na casa de um amigo e estávamos jogando videogame. No meio da jogatina, a mãe dele vem e pede pra gente dar uma pequena pausa para ela poder assistir a novela. Claro que não me incomodei, desligamos e todos começaram a assistir e opinar sobre a narrativa que se desenvolvia. Quando tentaram me inserir na conversa, eu até tentei comentar aqui e alí, mas disse que não acompanhava a estória. Nisso, a senhora logo disse que durante este ano, como seu trabalho não foi tão corrio como nos anos anteriores, ela teve mais tempo de seguir as novelas. Até aí tudo parecia normal, mas foi durante os próximos assuntos que isso acabou me deixando um tanto curioso, pra não dizer outra palavra...

Resumindo muito o que acontecia (e que eu, muito astuto, observava e mentalmente anotava tudo), a trama mostrava o que os personagens faziam enquanto os telespectadores hiper entusiasmados (mas que juravam não serem tão ligados assim em novelas) ficavam tentando adivinhar o que ia acontecer. Era praticamente um enorme bolão, com várias alternativas e prêmios. Um exemplo foi uma cena em que uma senhora se escondia no banheiro e ouvia toda a verdade sobre outra personagem que estava enganando ela e que havia matado muita gente. Daí começaram:

 

Telespectador desocupado 1: "ela vai ter um ataque do coração e vai morrer, por causa da idade! Daí ninguém vai saber a verdade!"

Telespectador desocupado 2: "ela vai lá na polícia entregar essa vagaba aí! CERTEZA!"

Telespectador desocupado 1 novamente: "ahhh não, ela vai pedir perdão pras pessoas que tentaram dizer isso pra ela mas ela não acreditou!"

Telespectador desocupado 3: "se eu fosse aquela mulher eu matava a velha e continuaria o plano!"

Entre outras baboseiras que ouvi.

 

Após a novela fomos até a cozinha pegar algo pra beber. A mãe do meu amigo foi logo se desculpando pela bagunça que estava sobre a mesa e em cima da geladeira, dizendo "olha isso, que zona! Mas não teve como, não tive tempo de arrumar nada!" e eu não me aguentei, e sem intenção acabei deixando escapar um "ué, mas esse ano não foi super tranquilo pra você a ponto de você seguir as novelas e tudo mais?" Ela ficou meio sem graça mas acabou reagindo com uma gargalhada. Não foi por maldade, mas pisei no maior dos calos:

 

TODO MUNDO TEM UMA SOLUÇÃO PRA TUDO NA NOVELA, MAS NÃO CONSEGUEM RESOLVER OS MENORES PROBLEMAS DA SUA PRÓPRIA VIDA.

 

Faça o teste. Pergunte, durante a novela, o que eles fariam em cada caso, seja ele o mais absurdo possível. A resposta virá em segundos, praticamente como naqueles programas de entrevista, onde tem aquele "bate bola, jogo rápido":

Pergunta ao telespectador desocupado: e se ela tivesse matado aquela mulher?

Resposta astuta do telespectador desocupado: ela teria que cortar o corpo em pedacinhos e espalhar em lixos distribuídos em diversos cantos da cidade.

Pergunta ao telespectador desocupado: e se ela tivesse achado uma mala repleta de dinheiro?

Resposta astuta do telespectador desocupado: pegaria o dinheiro, deixaria a mala lá, compraria passagens e fugiria pra Europa.

Pergunta ao telespectador desocupado: e se ela precisasse matar a outra que agora sabe de tudo?

Resposta astuta do telespectador desocupado: é só misturar veneno na bebida da velha ou levar ela pra comer sashimi e dar um peixe venenoso "por engano".

 

Pois é, pra cada uma dessas eles têm uma resposta. Agora vamos para o lado da lado "vida real":

Eu pergunto: por que seu quarto está essa zona?

Assalariado que trabalha 6 horas por dia, que não cozinha, não limpa, não passa e ainda mora com os pais, mas que nas horas vagas vira telespectador desocupado: ahm... bom... é que esse ano foi tão corrido, então fui deixando, deixando, deixando...

Eu pergunto: se você tinha só 18 anos, por que não usou camisinha e evitou uma gravidez que deixaria sua vida tão mais complicada? E agora que tem filho, por que não cuida direito ao invés de deixar com a sua mãe, já que você agora você já tem 26 anos?

Desempregada, com cabelos perfeitamente tingidos, unhas perfeitas, corpo escultural e nada pra fazer o dia todo: ah... mas é que é tão difícil... as coisas são tão difíceis... mas a gente tá tentando...

 

Seeeeei. Eu também estou tentando. Tentando compreender a mente humana que reclama do que os outros não fazem. Mas agora, façam a experiência e coloquem as pessoas pra comentar sobre o problemas DOS OUTROS:

Pergunte à desempregada de 26 anos com filho sobre a cozinha desarrumada: "ahh, muito simples. É só limpar de pouco em pouco durante os intervalos da novela e durante os horários em que ela está em casa mas a novela ainda não começou".

Pergunte à dona de casa noveleira sobre o assalariado folgado: "é só acordar mais cedo pra arrumar um pouco o quarto ou arrumar e manter um mínimo arrumado depois que volta do trabalho, afinal 6 horas de trabalho não matam ningúem".

Pergunte sobre a gravidez precoce para o assalariado: "se fosse eu, jamais teria deixado isso acontecer. Daria um jeito com camisinha, espermicida, qualquer coisa. Mas caso acontecesse, ia ficar um pouco mais responsável e cuidar do piolhinho".

 

Está comprovado! O problema dos outros é sempre mais fácil que os nossos próprios! Só falta as pessoas começarem a perceber isso e tentarem resolver as pequenas guerras civis dentro de casa antes de exigir mais dos que estão fora dela. Acham que é fácil ser técnico de futebol e ganhar todos os campeonatos? Ou ser político e ter que resolver um milhão de problemas de uma vez com todo mundo buzinando na sua cabeça e te acusando de coisas? Então sejam um. Só não vale chegar lá na hora e dizer que justamente esse time que você pegou é muito ruim ou o seu mandato coincidiu com a pior crise política de todas. Ou as pessoas aprendem a se contentar com o que tem ou apendem a fazer mais. É o ciclo da vida.

Uma vez uma amiga minha disse que o pai dela resolve tudo com duas frases:

1 - O que é que te impede?

2 - O que é que precisa?

Ou seja, se você possui condições de fazer alguma coisa (frase um), corra atrás do que precisa e realize-se (frase 2). Talvez esse país precise de mais pessoas como o pai dela. Vou sugerir que ele apresente palestras alguém naquele, bando de gente, tem que conseguir abosrver algum conhecimento desse homem genial!


December 22

Cyber-psicólogo, R$200,00 a hora. Aceito todos os cartões e Paypal!

Um dos grandes problemas que tive na hora de escolher um curso superior não era a falta de opção ou não saber o que eu poderia fazer pro resto a vida. No meu caso, o grande problema foi o excesso de opções. Optei por publicidade e propaganda porque adoro a área, é bem legal e ampla, mas ainda penso em cursar alguma outra nem que seja pra matar a vontade,e  a primeira coisa que eu faria seria um curso hiper aprofundado de psicologia. Continuem lendo pra entender o porquê.

Ultimamente existe uma grande "internetização" das coisas. Você pode fazer tudo por internet, comprar, vender, alugar, trocar, pedir, exigir, reclamar, conferir, entre outras coisas. Daí começou uma onda gigantesca de virtualizar coisas humanas. Isso inclui conversa, namoro, sexo e demais atividades. A última mania agora é o cyber-desabafo, onde as pessoas chegam pedindo ombro amigo, falam tudo, rasgam o verbo, pedem conselho (e reclamam dele), pedem ajuda, e quando tudo está da maneira que eles querem,dão tchau e desconectam. É prático, fácil e com resultados garantidos.

Seguindo a nova tendência, tive que criar uma nova lista de contatos no meu MSN para mover esses moderninhos para lá, tipo um cantinho do castigo. A questão é que ultimamente as pessoas só vêm falar comigo quando querem contar algo e pedir solução. É incrível como não se consegue mais conversar cobre um filme, um jogo, combinar lugares pra sair nem nada. Até cumprimentar está difícil, você fala "tudo bem?" e a pessoa responde "tudo péssimo!" querendo dizer "senta que lá vem a estória..."

Resumindo, eu virei uma espécie de psicólogo virtual. As pessoas entram na internet, me vêem online, ignoram o meu status (se estou ocupado, se estou morrendo ou qualquer outra coisa que eu tenha escrito alí) e contam tudo, perguntam tudo e exigem uma resposta/soução minha em um tempo cronometrado, senão chamam atenção, mandam emoticons exagerados e vários "???????!!!!!!??????!!!!!" e tudo mais no MSN. É praticamente um programa como aquele "Passa ou Repassa", a diferença é que independente da resposta eu levo torta na cara. Como se não fosse o suficiente, tenta desabafar algo com eles pra ver o que acontece. Qualquer coisa que você fala eles dão a primeira resposta idiota que qualquer um que não te conhece daria, já que eles não estão ali pra escutar, o monólogo deles é sempre mais interessante. Por exemplo, estão falando sobre um namoro que terminou, daí você fala que o seu casamento acabou e você perdeu tudo durante  processo da separação, foi exilado e agora mora na África num local onde sempre há conflitos por causa das guerras civis, e a pessoa não demora dois segundos e repsonde algo besta como "ah, junte dinheiro e se mude daí. Mas então, como eu falava, meu namoro acabou..." e continua com a novela.

O mais incrível é como as pessoas atribuem um alto valor às coisas que acontecem com elas. Um exemplo foi uma que veio dizendo "PRECISO FALAR COM VCCCCCCCC!!! É URGENTEEEEEEEEEEEEEEEE!!! URGENTÍSSIMOOOOOOOOOOOOOOO!!" Agora prestem atenção aos fatos que ela contou:

 

1) um dia ela ficou com um cara e fez... muitas coisas...

2) no dia seguinte ela ficou com outro cara e o fulaninho do dia anterior viu.

3) quando ela catou o fulaninho do dia 1, ela contou que ele lembrava um outro cara que ela conhecia, que era o tal do dia 2.

4) ela realmente ficou com o cara do dia 1 pensando no cara do dia 2.

 

Após escrever um alcorão de informações de uma maneira muito mais complicada que o esquema acima descrito, ela me pergunta:

 

1) você acha que ele vai achar que sou uma biscate?

Preciso responder? Próxima.

 

2) você acha que ele vai querer sair comigo de novo?

Qual alternativa ilustra a resposta para essa pergunta?

a) hummm... eu acho que não...

b) é bem provável que não...

c) se parar pra pensar, acho que ele vai querer sair com outra pessoa pra variar um pouco, igual você fez...

d) el esqueceu de te contar que você lembrava muito uma outra menina que ele conhecia, e agora ele vai sair com ela.

e) depois de ver a cena ele ficou abalado e optou pelo celibato... então ele não vai ficar com você de novo...

Deduziram a resposta? OK, next.

 

3) O pior é que esse cara conhece gente da turma que eu ando. Você acha que eu vou ficar falada?

Existe uma possibilidade. Mas depois de aprontar tudo isso, ficar falada é detalhe. Vá viver sua vida e pára de ligar pra tudo o que os outros falam. Se for pra ligar, então não apronte.

 

Então, o que acharam do meu trabalho como "cyber psicólogo"? Fácil? Simples? Óbvio demais? Talvez. Porém, as pessoas não aceitam esse tipo de resposta. Elas não conectaram para ouvir a verdade, elas querem uma fuga para um mundo fantástico idealizado, onde tudo o que você quer pode ser encontrado no Google e tudo o que você não deseja ouvir fica guardado na sua caixa de e-mails indesejados. Então tive que contornar com um "não fique assim" e alguns "é complicado... melhor deixar isso pra lá". Quando a poeira baixar eu converso certinho com a cidadã.

Por isso, se a minha carreira publicitária nao decolar e se eu não ganhar nenhum prêmio de literatura, qualquer que seja, eu vou me tornar psicólogo!! E não é a primeira vez que digo isso! Imaginem que beleza, um psicólogo virtual. você digita www.querodesabafarmassoumuitochatoeninguemmeescuta.com.br, entra na fila de espera que vai abrir numa janelinha de chat. Digita o número do seu cartão de crédito (futuramente aceitarei todos os cartões, Paypal, vale alimentação, vale transporte e até descontarei do fundo de garantia do paciente) e já fica informado que custa uns 200 reais a hora. Daí a pessoa fala, fala, fala e eu poderei ser super sincero, falar que ela não presta, que precisa aprender a ser gente, entre outros tipos de comentários, todos embasados pelo jargão "Freud explica", pois afinal de contas. Afinal, eu sou um profissional e posso falar na cara, além  de ser pago pra isso, então a pessoa até ficará feliz com o que eu disser. Depois é só marcar um "retorninho" e lá se vão 200 reais pra minha conta. Parece meio filho da mãe, mas tem fundamento.

O negócio é aproveitar essa oportunidade pra fazer um "business", ainda mais nos tempos de crise. É claro que muita gente ia querer uma primeira consulta de graça, e eu daria com toda a alegria do mundo. Daí é só deixar aquele gostinho de "final de novela das 8 (que começa às 9)", que no clímax você corta e fala "ou paga a próxima consulta ou fique com essa dúvida eternamente". Isso traria muita paz para o meu MSN e as conversas com amigo se tornariam muito mais agradáveis, já que não seriam mais monólogos. Certas vezes precisamos tomar algumas atitudes para poder ter um pouco de sossego.

Portanto, da próxima vez que vocês forem falar com alguém e desabafar sobre algo, reflitam sobre os seguintes pontos:

1) você provavelmente sabe a resposta da pergunta que você quer fazer;

2) pense se o que aconteceu com você é realmente grave e se a pessoa para a qual você está contando isso não passou ou está passando por uma barra maior que a sua;

3) existe uma grande diferença entre pedir conselho (onde você ouve o que realmente precisa) e ouvir o que quer (quando você nega as soluções que a pessoa propõe ate ela dizer a soução que vcê queria ouvir);

4) pense se você realmente quer ouvir a resposta das suas perguntas;

5) você já fez algo para resolver a situação ou realmente pretende fazer? Porque se for pra reclamar e chorar no ombro do amigo só pra fazer drama, crie um blog com um título sugestivo como "ninguém me ama, ninguém me quer" e poste tudo isso lá para quem quiser ler. Não castigue o seu amigo se ele não fez nada contra você;

6) e a última, mas mais importante: a diferença entre um amigo desabafando e um mala não é grande. Cuidado para não virar um container na vida do ouvinte.

 

Depois de ouvir várias vezes que tenho cara de "estudante de medicina da USP", talvez psicologia seja o meu destino. Bom, o que tiver que ser, será! Por enquanto sou um mero escritor de blog que espera cometários para seus textos e, futuramente, um nobel da literatura digital.

October 13

Habilidades: PORTUGUÊS BRASILEIRO TRADICIONAL FLUENTE!

Neste final de semana eu causei polêmica na aula de mandarim. Isso aconteceu por causa de três fatores que me revoltaram:

1) A notícia de que há dois milhões de analfabetos nas escolas brasileiras;
2) As novas "regras" de português que excluem acentuações e coisas que estudamos por anos para poder aperfeiçoar;
3) O que eu ouvi na aula de mandarim que foi REVOLTANTE.

Parece pouco, mas explicarei.

Bom, a parte da notícia dos dois milhões de analfabetos nas escolas me deixa puto porque significa que até esse país crescer vai demorar. Pessoa burra só serve prbalhar em franquias de fast-food, e como são semi-analfabetos, sempre erram seu pedido, principalemnte quando você pede "sem picles" e eles não sabem o que é picles, o que é alface, o que tomate, pois só sabem que tudo aquilo lá é "verdura", isso se souberem escrever "verdura".

A parte das novas regras me deixa puto porque se você não sabe, aprenda. Tem livrinho de gramática em qualquer banca de jornal por 5 reais e programa de TV do professor Pasquali. Já a terceira parte, não deu pra segurar... explodi... mas explodi suavemente...

A professora de mandarim é super legal, brasileira que aprendeu mandarim fazia 4 anos e estava ali de boa vontade ensinando e tal. PORÉMMMM.... na última aula ela começou a falar do mandarim simplificado. História verídica que minha amgia chinesa, de 17 anos, me contou e faz total sentido. Mao Tsé Tung, preocupado com io analfabetismo e essas coisas do país, resolveu implantar a "revolução cultural", que foi quando foram criados os ideogramas simplificados. Ou seja, se você não sabe escrever certo com os 10 traços, faça um "equivalente" de 3 traços e tá tudo lindo. Isso fez com que o analfabetismo caísse de 60% para 4%. Mas até onde eles realmente aprenderam a escrever?? Até onde isso pode ser elvado??? Enfim, Shin (minha amiga) disse que "chinês que é chinês escreve tradicional", ou seja, se você se matou a vida toda estudando os traço por traço, como manda a tradição, você não ker matar metade da sua educação porque os outros não quiseram. Se não tinham dinheiro, beleza. Aprenda o simplificado, ganhe alguma coisa, ESTUDE O TRADICIONAL e continue a vida. Mas não, as pessoas se acomodam.

A coisa ficou preta quando ela disse "e vocês sabem por que eles simplificaram os ideogramassss? =D" e eu, pra ser um aluno suuper interesasdo e participativo, respondi "para diminuir o análfabetismo." Silêncio... Caras de bunda... daí, a professora tenta consertar "nãooo, não é sso.. foi pra simplificar, ficar mais fácil mesmo!!!!". Ah, não... antes tentasse falar algo tipo "então usamos o simplificado para aprender, mas depois aprendemos o tradicional quando estamos mais acostumados!!" mas não minta para os alunos. É feio. Depios que deixei a bonita desconsertada, fiquei quieto, mas ela não. Dalí pra frente, ela chamaria eu e as minhas amigas próximas de "aquele grupo ali do fundo, que não pára de conversar!!", mas de raiva, todas as perguntas que ela fazia eu respondia em menos de 1 segundo (perguntas de como dizer algo em chninês) e eu sempre acertava. Quero ver agora quem é o grupo que só conversa.

Por essas e outras, meus amigos, que agora escrevo no meu curróculo assim:
IDIOMAS: PORTUGUÊS BRASILEIRO TRADICIONAL FLUENTE/NATIVO!!
Porque agora eu QUERO ser um qualquer na multidão, já que ultimamente as pessoas que são apontadas ou que saem nos jornais não são as mais inteligentes ou com grandes feitos, e sim as mais burras que fizeram as maiores burradas. A imprensa virou um enorme livro de piadas e eu não quiero ser o "Joãozinho" da próxima.