| Fernando's profileMinha vida antes dos 30.PhotosBlogLists | Help |
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December 29 A novela, a vida alheia e em último caso, a vida própria.Outro dia eu estava na casa de um amigo e estávamos jogando videogame. No meio da jogatina, a mãe dele vem e pede pra gente dar uma pequena pausa para ela poder assistir a novela. Claro que não me incomodei, desligamos e todos começaram a assistir e opinar sobre a narrativa que se desenvolvia. Quando tentaram me inserir na conversa, eu até tentei comentar aqui e alí, mas disse que não acompanhava a estória. Nisso, a senhora logo disse que durante este ano, como seu trabalho não foi tão corrio como nos anos anteriores, ela teve mais tempo de seguir as novelas. Até aí tudo parecia normal, mas foi durante os próximos assuntos que isso acabou me deixando um tanto curioso, pra não dizer outra palavra... Resumindo muito o que acontecia (e que eu, muito astuto, observava e mentalmente anotava tudo), a trama mostrava o que os personagens faziam enquanto os telespectadores hiper entusiasmados (mas que juravam não serem tão ligados assim em novelas) ficavam tentando adivinhar o que ia acontecer. Era praticamente um enorme bolão, com várias alternativas e prêmios. Um exemplo foi uma cena em que uma senhora se escondia no banheiro e ouvia toda a verdade sobre outra personagem que estava enganando ela e que havia matado muita gente. Daí começaram:
Telespectador desocupado 1: "ela vai ter um ataque do coração e vai morrer, por causa da idade! Daí ninguém vai saber a verdade!" Telespectador desocupado 2: "ela vai lá na polícia entregar essa vagaba aí! CERTEZA!" Telespectador desocupado 1 novamente: "ahhh não, ela vai pedir perdão pras pessoas que tentaram dizer isso pra ela mas ela não acreditou!" Telespectador desocupado 3: "se eu fosse aquela mulher eu matava a velha e continuaria o plano!" Entre outras baboseiras que ouvi.
Após a novela fomos até a cozinha pegar algo pra beber. A mãe do meu amigo foi logo se desculpando pela bagunça que estava sobre a mesa e em cima da geladeira, dizendo "olha isso, que zona! Mas não teve como, não tive tempo de arrumar nada!" e eu não me aguentei, e sem intenção acabei deixando escapar um "ué, mas esse ano não foi super tranquilo pra você a ponto de você seguir as novelas e tudo mais?" Ela ficou meio sem graça mas acabou reagindo com uma gargalhada. Não foi por maldade, mas pisei no maior dos calos:
TODO MUNDO TEM UMA SOLUÇÃO PRA TUDO NA NOVELA, MAS NÃO CONSEGUEM RESOLVER OS MENORES PROBLEMAS DA SUA PRÓPRIA VIDA.
Faça o teste. Pergunte, durante a novela, o que eles fariam em cada caso, seja ele o mais absurdo possível. A resposta virá em segundos, praticamente como naqueles programas de entrevista, onde tem aquele "bate bola, jogo rápido": Pergunta ao telespectador desocupado: e se ela tivesse matado aquela mulher? Resposta astuta do telespectador desocupado: ela teria que cortar o corpo em pedacinhos e espalhar em lixos distribuídos em diversos cantos da cidade. Pergunta ao telespectador desocupado: e se ela tivesse achado uma mala repleta de dinheiro? Resposta astuta do telespectador desocupado: pegaria o dinheiro, deixaria a mala lá, compraria passagens e fugiria pra Europa. Pergunta ao telespectador desocupado: e se ela precisasse matar a outra que agora sabe de tudo? Resposta astuta do telespectador desocupado: é só misturar veneno na bebida da velha ou levar ela pra comer sashimi e dar um peixe venenoso "por engano".
Pois é, pra cada uma dessas eles têm uma resposta. Agora vamos para o lado da lado "vida real": Eu pergunto: por que seu quarto está essa zona? Assalariado que trabalha 6 horas por dia, que não cozinha, não limpa, não passa e ainda mora com os pais, mas que nas horas vagas vira telespectador desocupado: ahm... bom... é que esse ano foi tão corrido, então fui deixando, deixando, deixando... Eu pergunto: se você tinha só 18 anos, por que não usou camisinha e evitou uma gravidez que deixaria sua vida tão mais complicada? E agora que tem filho, por que não cuida direito ao invés de deixar com a sua mãe, já que você agora você já tem 26 anos? Desempregada, com cabelos perfeitamente tingidos, unhas perfeitas, corpo escultural e nada pra fazer o dia todo: ah... mas é que é tão difícil... as coisas são tão difíceis... mas a gente tá tentando...
Seeeeei. Eu também estou tentando. Tentando compreender a mente humana que reclama do que os outros não fazem. Mas agora, façam a experiência e coloquem as pessoas pra comentar sobre o problemas DOS OUTROS: Pergunte à desempregada de 26 anos com filho sobre a cozinha desarrumada: "ahh, muito simples. É só limpar de pouco em pouco durante os intervalos da novela e durante os horários em que ela está em casa mas a novela ainda não começou". Pergunte à dona de casa noveleira sobre o assalariado folgado: "é só acordar mais cedo pra arrumar um pouco o quarto ou arrumar e manter um mínimo arrumado depois que volta do trabalho, afinal 6 horas de trabalho não matam ningúem". Pergunte sobre a gravidez precoce para o assalariado: "se fosse eu, jamais teria deixado isso acontecer. Daria um jeito com camisinha, espermicida, qualquer coisa. Mas caso acontecesse, ia ficar um pouco mais responsável e cuidar do piolhinho".
Está comprovado! O problema dos outros é sempre mais fácil que os nossos próprios! Só falta as pessoas começarem a perceber isso e tentarem resolver as pequenas guerras civis dentro de casa antes de exigir mais dos que estão fora dela. Acham que é fácil ser técnico de futebol e ganhar todos os campeonatos? Ou ser político e ter que resolver um milhão de problemas de uma vez com todo mundo buzinando na sua cabeça e te acusando de coisas? Então sejam um. Só não vale chegar lá na hora e dizer que justamente esse time que você pegou é muito ruim ou o seu mandato coincidiu com a pior crise política de todas. Ou as pessoas aprendem a se contentar com o que tem ou apendem a fazer mais. É o ciclo da vida. Uma vez uma amiga minha disse que o pai dela resolve tudo com duas frases: 1 - O que é que te impede? 2 - O que é que precisa? Ou seja, se você possui condições de fazer alguma coisa (frase um), corra atrás do que precisa e realize-se (frase 2). Talvez esse país precise de mais pessoas como o pai dela. Vou sugerir que ele apresente palestras alguém naquele, bando de gente, tem que conseguir abosrver algum conhecimento desse homem genial! December 22 Cyber-psicólogo, R$200,00 a hora. Aceito todos os cartões e Paypal!Um dos grandes problemas que tive na hora de escolher um curso superior não era a falta de opção ou não saber o que eu poderia fazer pro resto a vida. No meu caso, o grande problema foi o excesso de opções. Optei por publicidade e propaganda porque adoro a área, é bem legal e ampla, mas ainda penso em cursar alguma outra nem que seja pra matar a vontade,e a primeira coisa que eu faria seria um curso hiper aprofundado de psicologia. Continuem lendo pra entender o porquê. Ultimamente existe uma grande "internetização" das coisas. Você pode fazer tudo por internet, comprar, vender, alugar, trocar, pedir, exigir, reclamar, conferir, entre outras coisas. Daí começou uma onda gigantesca de virtualizar coisas humanas. Isso inclui conversa, namoro, sexo e demais atividades. A última mania agora é o cyber-desabafo, onde as pessoas chegam pedindo ombro amigo, falam tudo, rasgam o verbo, pedem conselho (e reclamam dele), pedem ajuda, e quando tudo está da maneira que eles querem,dão tchau e desconectam. É prático, fácil e com resultados garantidos. Seguindo a nova tendência, tive que criar uma nova lista de contatos no meu MSN para mover esses moderninhos para lá, tipo um cantinho do castigo. A questão é que ultimamente as pessoas só vêm falar comigo quando querem contar algo e pedir solução. É incrível como não se consegue mais conversar cobre um filme, um jogo, combinar lugares pra sair nem nada. Até cumprimentar está difícil, você fala "tudo bem?" e a pessoa responde "tudo péssimo!" querendo dizer "senta que lá vem a estória..." Resumindo, eu virei uma espécie de psicólogo virtual. As pessoas entram na internet, me vêem online, ignoram o meu status (se estou ocupado, se estou morrendo ou qualquer outra coisa que eu tenha escrito alí) e contam tudo, perguntam tudo e exigem uma resposta/soução minha em um tempo cronometrado, senão chamam atenção, mandam emoticons exagerados e vários "???????!!!!!!??????!!!!!" e tudo mais no MSN. É praticamente um programa como aquele "Passa ou Repassa", a diferença é que independente da resposta eu levo torta na cara. Como se não fosse o suficiente, tenta desabafar algo com eles pra ver o que acontece. Qualquer coisa que você fala eles dão a primeira resposta idiota que qualquer um que não te conhece daria, já que eles não estão ali pra escutar, o monólogo deles é sempre mais interessante. Por exemplo, estão falando sobre um namoro que terminou, daí você fala que o seu casamento acabou e você perdeu tudo durante processo da separação, foi exilado e agora mora na África num local onde sempre há conflitos por causa das guerras civis, e a pessoa não demora dois segundos e repsonde algo besta como "ah, junte dinheiro e se mude daí. Mas então, como eu falava, meu namoro acabou..." e continua com a novela. O mais incrível é como as pessoas atribuem um alto valor às coisas que acontecem com elas. Um exemplo foi uma que veio dizendo "PRECISO FALAR COM VCCCCCCCC!!! É URGENTEEEEEEEEEEEEEEEE!!! URGENTÍSSIMOOOOOOOOOOOOOOO!!" Agora prestem atenção aos fatos que ela contou:
1) um dia ela ficou com um cara e fez... muitas coisas... 2) no dia seguinte ela ficou com outro cara e o fulaninho do dia anterior viu. 3) quando ela catou o fulaninho do dia 1, ela contou que ele lembrava um outro cara que ela conhecia, que era o tal do dia 2. 4) ela realmente ficou com o cara do dia 1 pensando no cara do dia 2.
Após escrever um alcorão de informações de uma maneira muito mais complicada que o esquema acima descrito, ela me pergunta:
1) você acha que ele vai achar que sou uma biscate? Preciso responder? Próxima.
2) você acha que ele vai querer sair comigo de novo? Qual alternativa ilustra a resposta para essa pergunta? a) hummm... eu acho que não... b) é bem provável que não... c) se parar pra pensar, acho que ele vai querer sair com outra pessoa pra variar um pouco, igual você fez... d) el esqueceu de te contar que você lembrava muito uma outra menina que ele conhecia, e agora ele vai sair com ela. e) depois de ver a cena ele ficou abalado e optou pelo celibato... então ele não vai ficar com você de novo... Deduziram a resposta? OK, next.
3) O pior é que esse cara conhece gente da turma que eu ando. Você acha que eu vou ficar falada? Existe uma possibilidade. Mas depois de aprontar tudo isso, ficar falada é detalhe. Vá viver sua vida e pára de ligar pra tudo o que os outros falam. Se for pra ligar, então não apronte.
Então, o que acharam do meu trabalho como "cyber psicólogo"? Fácil? Simples? Óbvio demais? Talvez. Porém, as pessoas não aceitam esse tipo de resposta. Elas não conectaram para ouvir a verdade, elas querem uma fuga para um mundo fantástico idealizado, onde tudo o que você quer pode ser encontrado no Google e tudo o que você não deseja ouvir fica guardado na sua caixa de e-mails indesejados. Então tive que contornar com um "não fique assim" e alguns "é complicado... melhor deixar isso pra lá". Quando a poeira baixar eu converso certinho com a cidadã. Por isso, se a minha carreira publicitária nao decolar e se eu não ganhar nenhum prêmio de literatura, qualquer que seja, eu vou me tornar psicólogo!! E não é a primeira vez que digo isso! Imaginem que beleza, um psicólogo virtual. você digita www.querodesabafarmassoumuitochatoeninguemmeescuta.com.br, entra na fila de espera que vai abrir numa janelinha de chat. Digita o número do seu cartão de crédito (futuramente aceitarei todos os cartões, Paypal, vale alimentação, vale transporte e até descontarei do fundo de garantia do paciente) e já fica informado que custa uns 200 reais a hora. Daí a pessoa fala, fala, fala e eu poderei ser super sincero, falar que ela não presta, que precisa aprender a ser gente, entre outros tipos de comentários, todos embasados pelo jargão "Freud explica", pois afinal de contas. Afinal, eu sou um profissional e posso falar na cara, além de ser pago pra isso, então a pessoa até ficará feliz com o que eu disser. Depois é só marcar um "retorninho" e lá se vão 200 reais pra minha conta. Parece meio filho da mãe, mas tem fundamento. O negócio é aproveitar essa oportunidade pra fazer um "business", ainda mais nos tempos de crise. É claro que muita gente ia querer uma primeira consulta de graça, e eu daria com toda a alegria do mundo. Daí é só deixar aquele gostinho de "final de novela das 8 (que começa às 9)", que no clímax você corta e fala "ou paga a próxima consulta ou fique com essa dúvida eternamente". Isso traria muita paz para o meu MSN e as conversas com amigo se tornariam muito mais agradáveis, já que não seriam mais monólogos. Certas vezes precisamos tomar algumas atitudes para poder ter um pouco de sossego. Portanto, da próxima vez que vocês forem falar com alguém e desabafar sobre algo, reflitam sobre os seguintes pontos: 1) você provavelmente sabe a resposta da pergunta que você quer fazer; 2) pense se o que aconteceu com você é realmente grave e se a pessoa para a qual você está contando isso não passou ou está passando por uma barra maior que a sua; 3) existe uma grande diferença entre pedir conselho (onde você ouve o que realmente precisa) e ouvir o que quer (quando você nega as soluções que a pessoa propõe ate ela dizer a soução que vcê queria ouvir); 4) pense se você realmente quer ouvir a resposta das suas perguntas; 5) você já fez algo para resolver a situação ou realmente pretende fazer? Porque se for pra reclamar e chorar no ombro do amigo só pra fazer drama, crie um blog com um título sugestivo como "ninguém me ama, ninguém me quer" e poste tudo isso lá para quem quiser ler. Não castigue o seu amigo se ele não fez nada contra você; 6) e a última, mas mais importante: a diferença entre um amigo desabafando e um mala não é grande. Cuidado para não virar um container na vida do ouvinte.
Depois de ouvir várias vezes que tenho cara de "estudante de medicina da USP", talvez psicologia seja o meu destino. Bom, o que tiver que ser, será! Por enquanto sou um mero escritor de blog que espera cometários para seus textos e, futuramente, um nobel da literatura digital. |
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