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22 January

Carinho, carência e sofás.

Uma bela noite fresca, eu e uma amiga estávamos no salão(zinho) de festas do prédio dela, porque seu apartamento estava uma verdadeira zona de tanta coisa jogada e ela não queria que eu visse seu quarto bagunçado, já que minha vida se dividiria em “AQ” e “DQ”: “Antes do Quarto” e “Depois do Quarto”, segundo ela. Lá começamos a falar de várias coisas, daí entramos nos assuntos pessoais e nas dificuldades de achar a pessoa certa (ou quase certa).

 

Comparamos a pessoa certa com um “sofá ideal”, ou seja, aquele com material e conforto que você quer. Algumas pessoas precisam sentar e experimentar vários sofás antes de decidir qual é o ideal para levar pra casa. Outras, assim que se sentam, já sabem que é aquele. Há ainda outros que sentam em um sofá, gostam, mas não querem sair da loja antes de experimentar TODOS os sofás do local, e o que geralmente acontece é que quando voltam ao modelo que agradou, este, já paradinho ali por algum tempo, acabou sendo vendido e não adianta chorar pelo leite derramado. Também existem alguns doidos que sentam em um sofá, JURAM que aquele sofá foi feito especialmente pra eles e nada no planeta Terra mudará esta opinião, e na maioria dos casos, nem os próprios sofás agüentam o peso do bundão. É sempre assim, um paradoxo de opiniões.

 

Bom, eu e a amiga, no caso, parecemos (ou acreditamos) ser mais normais que esses casos. Nem acomodados para não sentar em nenhum sofá, nem hiperativos pra querer experimentar todos, ou seja, somos “moderados”. O problema é que depois que você entra na loja de móveis (quando você começa a namorar e tal) você não sai mais até encontrar o sofá ideal. Quando você é criança, você só é criança, depois tudo se divide em “estou solteiro” e “estou compromissado”. Uma meleca, mas é assim que acontece e não adianta negar.

 

O negócio que pega é aquele esquema de “quem eu quero não me quer”. Talvez o problema maior nem seja o “não me quer”, mas sim o “me quer, mas não agora”, porque isso deixa aquele gancho que você não sai, mas também não engrena de vez. E isso é irritante, deixa a gente louco e a gente xinga, bloqueia, volta, fala, chama pra sair, dá bolo ou leva bolo, e por aí vai. Momentos chatos, porém que fazem o sangue correr mais nas veias, deixa o rosto corado, machuca os dedos do pé e quebra alguns objetos (durante as crises de revolta) e depois que passa até dá saudade, mas o “durante” acaba com a nossa vida. O esquema desse “eu te quero, mas depois” enlouquece porque a pessoa marca você, mas marca de marcar mesmo, tipo aqueles espetinhos com inicias na ponta que esquentam na brasa e usam pra marcar os bois: nos aquece, nos machuca e nos marca.

 

A marcação pode ainda render algumas situações, como momentos melosos, momentos de raiva, ligações que depois de colocar o telefone no gancho nos perguntamos “o que eu tinha na cabeça pra falar isso??!!” Minha amiga, por exemplo, chegou ao ponto de pegar o telefone, ligar para o sofá amado (que hipoteticamente seria o sofá ideal ou ela achou que ia ser) e pedi-lo em casamento. Imaginem a cena, você chega em casa e seu celular toca, toca, toca... Você atende e a primeira coisa que você ouve é “chamada a cobrar. Para aceitá-la continue na linha após a identificação” (brincadeira, gente!! Começa agora nessa segunda parte) “você é o homem da minha vida! Casa comigo? Eu to apaixonadaaaa!! Por favorrr!!!”. Conhecendo minha amiga como eu conheço (sem modéstia ou puxação de saco, linda, charmosa, inteligente, “pra casar”), seria a coisa mais meiga do planeta, mas a ação corajosa não rendeu frutos. Claro, seria meigo depois de você desligar e pensar algumas vezes para tentar entender se aquilo foi verdade ou trote. Mas ela acabou pensando mais um pouco e achou que preferia um sofá de uma coleção mais nova, já que esse do caso era um tanto “vintage”, e acabou mudando de idéia. O problema, tanto dela como de qualquer outro, é que o mercado de sofás anda tão instável e os consumidores andam tão exigentes que é difícil achar um sofá pra você em meio a tantos, daí acabamos escolhendo um que é por encomenda e estes demoram muito mais para chegar no conforto da nossa casa.

 

Começamos a comparar essas pessoas marcantes de “sofás”, porque é isso que elas deveriam ser, por vários motivos:

 

1)      Deveriam estar a venda. A gente entra, escolhe, paga e ele vem! Nada de pensar, refletir ou reclamar.

2)      Deveriam ficar onde quiséssemos, paradinhos ali na sala pra você sentar do lado a hora que quer.

3)      Deveriam se adaptar a nós e não causar problema, igual o sofá se molda conforme a bunda sentante.

4)      Deveriam ser fixos.

5)      Deveriam permitir que os mandássemos pro conserto e recebermos de volta uma semana depois, novinho.

6)      Deviam poder ser arrastados pra onde quiséssemos.

7)      Deveriam ser NOSSOS.

 

Mas não é bem assim que acontece. Na hora de marcar esses sofás xaropes de volta, eles ainda querem fazer bumbum doce e fingem não deixar, numa pseudo-liberdade criada por eles. Quando estamos enganchados eles também estão, embora façam toda essa carinha de “não temos nada”. Em suma, você está marcado como um boi, daí você pega o seu espetinho e vai lá queimar o seu sofá especial e ele toma o espetinho da sua mão e diz “nemmm ferrando!! Você não vai me marcar!” viram o espetinho pra dentro, se queimam eles mesmos e devolvem, ainda fazendo aquela carinha de “humpf! Viu? Eu que mando!” Independentemente da ordem, o resultado é o mesmo.

 

É estranho pensar que essas pessoas vão tirar noites de sono mais cedo e estarão do lado fazendo a gente dormir mais tarde. Isso se ainda não for o nosso sofá ideal, onde toda a briga virará história de filme, um DVD com as cenas do casamento e uma vivência junta até os últimos momentos. Pensar nisso as vezes dá até um aperto.

 

Enfim, esse é um assunto que vai longe, mas queria registrar como conseguimos comprar móveis a uma situação tão pessoal, ainda mais discutindo como somos complicados e como complicamos o que nem sempre é tão difícil. Mas um dia eu resolvo isso. Ou eu caso ou eu abro uma movelaria e pronto.

11 January

Dez coisas para não se fazer quando se está conhecendo alguém.

A internet chegou e dominou os lares de todos. Junto com a liberdade do tráfego de informações também veio a liberdade de expressão. Ou seja, se você tinha alguma coisa entalada na garganta e precisava falar isso pra alguém, a internet é o lugar! Se você tinha vergonha de ver o que vendem na sex shop, agora você pode fazer isso sem sair de casa! E se você não tinha coragem de sair paquerando pessoas por aí, agora você pode também, através de bate papo virtual onde você não precisa ficar com vergonha!

Sem tempo e sem ânimo de sair por ai pra conhecer pretendentes e realizar dinâmicas e entrevistas, igual se faz pra conseguir uma vaga de trabalho, resolvi tentar conhecer pessoas virtualmente. A minha lista de pretendentes virtuais não chega aos pés da lista de gafes, anotadas após cada conversa individual. Veja alguns dos itens que mais preocupam, ou queimam mais filme, quando se está conhecendo alguém:

1) Não fique falando do(a) ex! Esse é o primeiro e o pior deles. Não tem coisa pior do que, durante a conversa, a pessoa começar com aquele tal de “ai, estou catando os pedacinhos do meu coração quebrado”, ou então, quando você fala “você curte a banda tal?” e a vítima responde “meu ex adorava...” Dá vontade de dizer “então passa aqui o MSN do teu ex que eu vou conversar com ele, que deve ser mais interessante que conversar com você”. Ex é ex. Se fosse bom, ou se fosse pra dar certo, não seria ex. E encerre o assunto aí.

2) Não seja depressivo. As pessoas se conhecem e querem conhecer outras para uma amizade e um futuro relacionamento, não para acabar tendo vontade de cortar o pulso ou pular de 10º andar. Pessoas normais querem se relacionar para viverem grandes emoções, e não entrar em depressão profunda. Muitas vezes começa com aquele “estou carente” e “terminei faz uma semana”, o incrível é que terminam e já correm atrás de alguém pra substituir... imagine quanto tempo uma pessoa dessa veste preto quando está de luto? 15 minutos? Depois contam toda a história da vida e por incrível que pareça, o mundo conspira contra ela. Se eu quisesse drama eu veria na TV.

3) Não fique usando diminutivos. Não existe coisa mais irritante que isso. Chega uma hora que eles param de ser fofinhos e começam a ficar depreciativos, e isso não demora pra acontecer. Começa com “estou tristinho” ou “tão bonitinho”, e começam pra “dar uma saidinha pra pegar um filminho com uma pipoquinha e dar um beijinho” e por aí vai. Aí você já começa a pensar que a pessoa é bonitinha, legalzinha (o que já não é muito) e você acaba pensando que relacionamento vai ser legalzinho... mas não vai ser aquilo tudo que você espera, já que tudo é “zinho” pra essa pessoa. Todo mundo quer viver uma puta experiência e não qualquer experienciazinha. Então largue a mão da síndrome de inferioridade e use o diminutivo quando ele realmente tiver efeito fofinho.

4) Não assuma uma posição de auto-suficiente demais. Aquelas pessoas que o trabalho não é tão bom quanto elas, que não utiliza 1% de seu enorme potencial, ou que os ex não eram de nada, porque como eles(as) adoram dizer, “eu me valorizo!”, o tesouro é tão, mas tão valorizado que até hoje ta sozinho senão não estaria ali falando com você. Se o cidadão é tão bom assim, ele que saia com ele mesmo, porque só ele vai se ligar no dia seguinte, se mandar flores e continuar repetindo pra si mesmo o quão bom ele, afinal, ele não foge dele mesmo. É o par ideal.

5) Não tenha foto falsa ou extremamente bem tirada. Ter fotos de tudo quanto é tipo é essencial. Algumas pessoas têm aquelas fotos que não se sabe o porquê e nem a ciência sabe explicar, mas que naquele dia, naquela lua cheia, devido ao alinhamento dos planetas e a numerologia obtida somando o número do dia atual com a hora da foto e a quantidade de megapixels da câmera a foto saiu extremamente boa e o cidadão a colocou na internet. O resultado é SEMPRE catastrófico. Enquanto você enxerga um monumento grego, do outro lado da tela está uma criatura de fábula que já voltou a ser abóbora e todo mundo já sabe que pau que nasce torto nunca se endireita. Mostre logo a sua cara como ela é todos os dias e se a pessoa gostar, não tem erro. Se não gostar, paciência. Próximo da fila.

6) Não seja o(a) sofredor (a). Outro assunto que deixa qualquer um puto da vida e dá aquela vontade de excluir e bloquear é conversar com sofredores. Você trabalha, mas o trabalho deles é MAIS DIFÍCIL, você mora com alguém xarope, mas a pessoa com quem eles moram é MAIS XAROPE! Você não se dá bem com familiares porque sua família está passando por uma crise, eles ESTÃO SOFRENDO MAIS E A FAMÍLIA DELES É PIOR! Chega uma hora que cansa, você diz que vai até o forno pegar o bolo que terminou de assar e nunca mais aparece online naquele MSN.

7) Não seja radical demais, principalmente quando for no sentido negativo. Se te perguntarem se você fuma, se você sai, se você curte o filme tal, não venha com “ODEEEEEEEEEIOOOOOOOOOOO!!!”. Não existe coisa mais insuportável que gente que odeia ou ama demais as coisas. Claro, é sempre legal saber de uma ou outra mania ou conhecer algo que você ou ele(a) sejam aficionados, o que não dá são aqueles papos assim:

Entrevistador para a vaga de parceiro amoroso: “você curte balada?”

Candidato à vaga: “ODEIO!”

Entrevistador: “Você foi no show da Madonna?”

Candidato: “Credo! Odeio Madonna!”

Entrevistador: “Você quer sair pra tomar um café?”

Candidato: “ODEIO CAFÉ! DÁ ÚLCERA!”

Entrevistador: “Você quer ir tomar no olho do seu **?”

Ou você achou que a conversa terminaria de outra maneira?

Radicalismos positivos também não ajudam. Amar demais alguma coisa, tipo “ahhhh, eu vou na balada, sou o primeiro a entrar, conheço todo mundo lá dentro, beijo todo mundo e sou o ÚLTIMO a sair!” não soa tão legal quanto parece.

8) Não peça o impossível (ou extremamente difícil). Não exija namoro a distância, não exija memória de elefante para todas as datas e gostos, nem exija que parem de fumar ou que se mudem porque você quer. Existem serem humanos que moram longe que pedem e imploram pra você ir na casa deles AGORA, ou pra sair pra um lugar longe, ou qualquer outra coisa que só se pede para quem você já está namorando faz tempo e olhe lá. Exagere no pedido e o outro já vai pedir a conta pra ir embora.

9) Não seja adiantadinho(a). Não queira casar amanhã ou já namorar sério no segundo dia. Pessoas que comemoram “aniversário” quando o namoro completa uma semana ou um mês têm sérios problemas psicológicos e lingüísticos, porque “aniversário” vem da palavra “ano” e não “mês”. Não se coloca a carroça na frente dos bois. É claro que gente lerda também irrita, tipo dois meses depois você ainda não conseguir marcar algo pra sair é complicado, mas deixe as coisas acontecerem e não cobre nada. Tudo tem hora certa e você precisa aprender a perceber isso.

10) Seja quem você realmente é, mas tenha noção de limite. Dois grandes problemas nesse tópico são pessoas que querem ser algo que elas não são, como dizer que fizeram viagens que não fizeram, que são tão importantes quanto não são, entre outras pérolas. Tem casos em que juram que são tão importantes quanto um membro da Academia Brasileira de Letras e quando você vai ver, ainda está tentando se formar no supletivo há uns quatro anos. Já a questão do limite é que as pessoas adoram dizer o quanto elas já passaram, suas experiências, e que com isso elas aprenderam a ser mais: chatas, intolerantes, egoístas, insensíveis, nada versáteis. Não contentes, elas ainda querem que VOCÊ se adapte a elas e não o contrário, porque elas aprenderam que não devem fazer a vontade dos outros porque eles sempre se dão mal. É, piazinhos, assim a coisa fica complicada.

Relacionamento geralmente deve ser algo em que os dois combinam em alguns aspectos e se diferenciam em outros. Enquanto as pessoas não ficarem mais tolerantes e com mais senso do que falam, a coisa não vai pra frente. Eu realmente espero e rezo para que as pessoas aprendam a utilizar a internet de uma maneira mais construtiva, como ler sobre gramática e escrever menos asneira ou no mínimo acompanhar algum noticiário que não seja fofoca de artista, para que assim eu possa finalizar a minha lista de gafes virtuais e ter uma conversa normal. A net ajuda muita coisa na vida dos usuários, eles só precisam aprender que ela é uma ferramenta e não a base de toda a sua vida. Se for pra ficar com uma pessoa dessas, eu namoro com o meu PC que eu fico na vantagem, pois ele é como eu quero, fica onde eu quero,dorme do meu lado todas as noites e o mais importante, É MEU!